Em uma decisão inédita (e pedida há anos pelos personal trainers), a academia VidaFit, na zona norte de São Paulo, instalou nesta segunda-feira (2) um árbitro de vídeo para conferir se os alunos realmente completam as 15 repetições que anunciam em voz alta. Seis câmeras, um telão ao lado do bebedouro e uma cabine envidraçada junto à recepção formam a nova estrutura.
A ideia surgiu quando a gerência comparou a contagem dos alunos com as imagens das câmeras de segurança. A “série de 15” tinha, em média, nove repetições, sendo três de meia amplitude e duas classificadas no relatório interno como “só um balanço com intenção”.
Como funciona a revisão?
O instrutor pode pedir a revisão sempre que a contagem em voz alta parecer mais rápida que o movimento. O aluno também pode contestar uma repetição anulada, mas só duas vezes por treino. Durante a análise, a música da academia para e o telão mostra a série em câmera lenta, repetição por repetição, para todo mundo ver.
O protocolo do VAR da academia
- 1O instrutor desenha um retângulo no ar e a série é paralisada, com o peso ainda na mão.
- 2O árbitro de vídeo revisa a amplitude quadro a quadro, com linhas traçadas sobre o cotovelo e o joelho.
- 3Repetições sem extensão completa são anuladas, assim como as feitas “no embalo” ou com ajuda do colega que só “encostou o dedo”.
- 4O aluno é chamado ao monitor ao lado do espelho para rever o lance antes da decisão final.
- 5O alto-falante anuncia a decisão: “Após revisão, a série foi de 11. Volte para o zero.”
- 6O aluno refaz as 15 repetições desde o começo, contando em voz alta junto com o árbitro, que acompanha pelo alto-falante.
E os alunos, o que acham?
A recepção foi dividida. No horário de pico, a fila do supino chegou a 40 minutos, metade deles em revisão. Os frequentadores do leg press entraram com recurso pedindo que a contagem considere “o esforço emocional”, e o pessoal da esteira reclama que nunca é revisado (o que, admitem, é um alívio).
A gerência já estuda a próxima fase do projeto: marcar impedimento para quem ocupa dois aparelhos ao mesmo tempo “só guardando”. Até agora, o maior volume de treino da academia é do próprio árbitro de vídeo, que em uma semana revisou 1.300 séries e não fez nenhuma.
