O meia Kléber Trivela, de 28 anos, cobrou um escanteio aos 37 minutos do segundo tempo, viu a bola fazer a curva e entrar direto no gol, sem tocar em ninguém, na vitória da Sociedade Esportiva Rendimento por 1 a 0 neste domingo (1). Antes de comemorar, ele correu até o banco de reservas, pegou uma pasta de plástico na mochila e entregou ao diretor do clube um pedido formal de aumento por produtividade (com cópia para o empresário).
O que diz o pedido
O documento, de quatro páginas, argumenta que o jogador fez sozinho o trabalho de três: o de quem cobra o escanteio, o de quem cabeceia e o de quem empurra para a rede. Por isso, pede três salários. O texto também destaca que o lance teve “100% de aproveitamento em um único toque” e gerou uma economia de passes inédita na história do clube.
A negociação
| Pedido do jogador | Contraproposta do clube |
|---|---|
| Salário triplicado (cobrador, cabeceador e atacante) | Vale-refeição em dobro nos dias de jogo |
| Bônus por cada grau de curva da bola | Bônus só quando a curva for para dentro |
| Todos os escanteios garantidos em contrato | Todos os escanteios do lado em que bate sol |
| Bandeirinha de escanteio com o nome dele | Bandeirinha nova, mas genérica |
A resposta do clube
O diretor financeiro, Osmar Planilha, prometeu analisar o pedido, mas anexou à resposta um levantamento dos outros 41 escanteios cobrados por Kléber na temporada: 23 bateram na primeira trave, 12 foram parar nas mãos do goleiro e 6 acertaram a arquibancada, um deles o próprio Osmar. O clube propõe pagar por escanteio que der certo. O jogador recusou, alegando que produtividade se mede pelo melhor dia.
Efeito no vestiário
Desde domingo, a diretoria recebeu outros 23 pedidos de aumento. O goleiro quer reajuste por ter defendido duas bolas sem sair do lugar, e o zagueiro, por “não ter feito nenhum gol contra em outubro”. O mais recente chegou nesta segunda-feira, assinado pelo gandula, que alega ter devolvido a bola da cobrança histórica em tempo recorde.
