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Economia

Economistas descobrem que salário brasileiro dura menos que bateria de celular antigo

Pesquisa acompanhou contracheques e celulares de botão desde o dia do pagamento; o aparelho ainda tinha duas barrinhas quando o dinheiro acabou.

Homem de gravata afrouxada abre a carteira vazia na mesa da cozinha, desolado, diante de um celular de botão antigo com a tela acesa, uma pilha de boletos e um cofrinho de porquinho Sátira
Participante da pesquisa compara a carteira vazia com o celular antigo, ainda com bateria cheia. Foto: Mentira/Arquivo Fictício

“No quinto dia, o celular ainda tinha duas barrinhas. Os participantes usaram para ligar pedindo dinheiro emprestado.”

Dra. Rosângela ContrachequeCoordenadora do Instituto de Pesquisa do Fim do Mês

Um estudo do Instituto de Pesquisa do Fim do Mês (IPFM), divulgado nesta segunda-feira (2), concluiu que o salário do brasileiro dura menos que a bateria de um celular de botão dos anos 2000 (aquele que passava a semana longe da tomada e ainda sobrevivia a quedas do segundo andar). Os pesquisadores acompanharam, ao mesmo tempo, 3.200 contracheques e 3.200 aparelhos antigos, a partir do dia do pagamento.

Como foi feita a comparação?

Os dois foram carregados no mesmo dia: o celular na tomada, o salário na conta. A equipe conferiu a carga de hora em hora. O celular perdeu, em média, uma barrinha por dia. O salário perdeu metade antes do almoço, entre aluguel, boleto do cartão e o Pix que “era só até sexta”.

Salário x bateria

Celular antigoSalário
Avisa com um bipe quando está acabandoAvisa com uma notificação do banco às 3h da manhã
Esquecido na gaveta, continua com cargaEsquecido na conta, some com as tarifas do banco
Recarrega em duas horas na tomadaRecarrega em 30 dias, se o RH não atrasar
Sobrevive a uma queda do segundo andarNão sobrevive nem à fatura do cartão

Dá para economizar?

Os pesquisadores aplicaram no salário as mesmas dicas que os manuais de celular dão para poupar bateria:

  • Diminuir o brilho da tela: apagar as luzes da casa às 19h.
  • Fechar os aplicativos em segundo plano: cancelar as assinaturas esquecidas. Cada participante pagava, em média, quatro serviços de streaming a que não assistia.
  • Ativar o modo economia: arroz, ovo e nada de “só um lanchinho” depois das 22h.

Com as três medidas, o salário passou a durar até o sexto dia, o primeiro empate técnico da pesquisa. Os participantes comemoraram ligando para a família, pelo celular antigo, que seguia firme na mesa da cozinha.

Ao fim do estudo, os pesquisadores tentaram comprar mais celulares antigos para repetir a pesquisa no mês que vem. Não conseguiram: o salário deles tinha acabado no dia 4.