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Pesquisas

Cientistas afirmam ter criado máquina do tempo (e já voltaram arrependidos)

Equipe viajou a 2003 para corrigir um pequeno erro histórico, passou três dias tentando conectar a internet discada e voltou com 3.412 e-mails não lidos.

Três cientistas exaustos saem de uma cápsula fumegante num galpão, um deles com franja emo e outro segurando um modem antigo Sátira
Equipe do INPT desembarca da máquina do tempo após a primeira viagem a 2003. Foto: Mentira/Arquivo Fictício

“A gente voltou para mudar a história e passou três dias ouvindo o barulho do modem. Ninguém conseguia ligar para a gente porque a linha estava ocupada pela internet.”

Dr. Ademar PonteiroCoordenador do projeto e viajante arrependido

Depois de onze anos de pesquisa (e duas vaquinhas on-line), cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Temporais (INPT) anunciaram neste sábado (1º) que conseguiram construir a primeira máquina do tempo funcional do país. A notícia seria motivo de festa, mas a equipe deu a entrevista coletiva de óculos escuros, com olheiras e pedindo, em voz baixa, que ninguém fizesse muitas perguntas.

O equipamento, montado num galpão em Campinas a partir de um micro-ondas industrial, três roteadores e uma geladeira antiga doada por uma tia, levou o grupo a 2003 na primeira viagem. O objetivo era simples: corrigir “um pequeno erro histórico” e voltar no mesmo dia. Eles voltaram uma semana depois.

O que deu errado no passado?

Segundo o relatório, os pesquisadores passaram os três primeiros dias tentando se conectar à internet discada, que ocupava a linha do telefone fixo da pensão onde estavam hospedados. No quarto dia, descobriram que nenhum estabelecimento aceitava Pix, e o dinheiro de 2026 foi recusado por “ter uma cara estranha”. O resto da missão foi custeado com a venda de um carregador de celular, que ninguém sabia para que servia.

Efeitos colaterais relatados pela equipe

  • Jet lag de 23 anos: o corpo ainda acha que precisa gravar CD para a festa de sexta
  • Toque polifônico de celular grudado na cabeça há uma semana
  • Um pesquisador voltou com franja emo e se recusa a cortar
  • Ao retornar, 3.412 e-mails não lidos e 87 áudios no grupo da família

E o futuro, alguém foi?

Foi. Para compensar a frustração, a equipe ajustou a máquina para 2087, na esperança de encontrar carros voadores e o fim das filas. Encontraram o carro voador, mas ele estava parado no trânsito. A fila do banco continuava lá, agora com senha holográfica, e a reforma tributária seguia “em fase de transição”.

Dúvidas do público

Dá para voltar e comprar bitcoin barato?

A equipe tentou. Em 2003, ninguém sabia o que era bitcoin, e o atendente da lan house achou que era golpe.

A máquina vai ser liberada para o público?

Sim, mediante agendamento. A primeira vaga disponível é em 2031, data que os cientistas já visitaram e confirmam que a fila ainda estava grande.

Viajar no tempo engorda?

Não, mas a equipe comeu pastel de feira pelo preço de 2003 durante uma semana inteira, e os resultados foram visíveis.

Ao fim da coletiva, o instituto informou que já pediu verba para uma última viagem: voltar a 2015 e convencer a própria equipe a não inventar a máquina. O pedido foi protocolado e, segundo o sistema, deve ser analisado em março de 2029. Os cientistas garantem que estiveram lá e que o pedido ainda constava “em análise”.