O Cemitério da Consolação, um dos mais antigos de São Paulo, lotou as visitas guiadas noturnas que promoveu na semana do Halloween. O sucesso, porém, não agradou a todos: os moradores permanentes do local, que garantem estar ali desde antes de inventarem o horário de visita, reclamaram da falta de privacidade e entregaram à administração uma carta aberta, escrita à mão em papel amarelado (e assinada com tinta que ninguém sabe de onde veio).
O que dizem os moradores
A principal queixa é o horário. Os passeios acontecem à noite, justamente no período mais movimentado da assombração, e os grupos chegam com lanternas de celular apontadas para todos os lados. Os moradores também reclamam das selfies ao lado dos túmulos e dos guias, que insistem em chamar de lenda o que, para eles, é rotina. O documento lista as reivindicações:
Nós, abaixo-assinados, residentes deste endereço há mais de um século, solicitamos: silêncio depois das 22h, que é quando começamos; proibição do flash, que nos deixa ainda mais transparentes; e que os passeios deixem de ser gratuitos, porque assombramos de graça há tempo demais.
Carta aberta dos moradores do Cemitério da Consolação
Nem todos concordam. Um grupo mais jovem, que se mudou para lá no início do século passado, gostou da movimentação e já ensaia correntes novas para o ano que vem. Para evitar conflitos, os moradores mais antigos afixaram um comunicado na entrada:
A administração prometeu analisar os pedidos, mas ainda não conseguiu marcar uma reunião: os moradores só atendem depois da meia-noite, e o expediente termina às 18h.
