“A gente voltou para mudar a história e passou três dias ouvindo o barulho do modem. Ninguém conseguia ligar para a gente porque a linha estava ocupada pela internet.”
Depois de onze anos de pesquisa (e duas vaquinhas on-line), cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Temporais (INPT) anunciaram neste sábado (1º) que conseguiram construir a primeira máquina do tempo funcional do país. A notícia seria motivo de festa, mas a equipe deu a entrevista coletiva de óculos escuros, com olheiras e pedindo, em voz baixa, que ninguém fizesse muitas perguntas.
O equipamento, montado num galpão em Campinas a partir de um micro-ondas industrial, três roteadores e uma geladeira antiga doada por uma tia, levou o grupo a 2003 na primeira viagem. O objetivo era simples: corrigir “um pequeno erro histórico” e voltar no mesmo dia. Eles voltaram uma semana depois.
O que deu errado no passado?
Segundo o relatório, os pesquisadores passaram os três primeiros dias tentando se conectar à internet discada, que ocupava a linha do telefone fixo da pensão onde estavam hospedados. No quarto dia, descobriram que nenhum estabelecimento aceitava Pix, e o dinheiro de 2026 foi recusado por “ter uma cara estranha”. O resto da missão foi custeado com a venda de um carregador de celular, que ninguém sabia para que servia.
Efeitos colaterais relatados pela equipe
- Jet lag de 23 anos: o corpo ainda acha que precisa gravar CD para a festa de sexta
- Toque polifônico de celular grudado na cabeça há uma semana
- Um pesquisador voltou com franja emo e se recusa a cortar
- Ao retornar, 3.412 e-mails não lidos e 87 áudios no grupo da família
E o futuro, alguém foi?
Foi. Para compensar a frustração, a equipe ajustou a máquina para 2087, na esperança de encontrar carros voadores e o fim das filas. Encontraram o carro voador, mas ele estava parado no trânsito. A fila do banco continuava lá, agora com senha holográfica, e a reforma tributária seguia “em fase de transição”.
Dúvidas do público
Dá para voltar e comprar bitcoin barato?
A equipe tentou. Em 2003, ninguém sabia o que era bitcoin, e o atendente da lan house achou que era golpe.
A máquina vai ser liberada para o público?
Sim, mediante agendamento. A primeira vaga disponível é em 2031, data que os cientistas já visitaram e confirmam que a fila ainda estava grande.
Viajar no tempo engorda?
Não, mas a equipe comeu pastel de feira pelo preço de 2003 durante uma semana inteira, e os resultados foram visíveis.
Ao fim da coletiva, o instituto informou que já pediu verba para uma última viagem: voltar a 2015 e convencer a própria equipe a não inventar a máquina. O pedido foi protocolado e, segundo o sistema, deve ser analisado em março de 2029. Os cientistas garantem que estiveram lá e que o pedido ainda constava “em análise”.
